sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Chatices de campanha


Você viu algum candidato a vereador ou prefeito passando no seu bairro? É claro que viu, pois, em tempo de eleição, político é que nem formiga: dá em tudo quanto é canto. Ele visitou a sua rua, carregou sua criança, lamentou os buracos do asfalto, jogou futebol com seu filho, colocou na prefeitura atual a culpa sobre todos os problemas do seu bairro e deixou claro que, com o seu apoio, ele vai poder melhorar sua rua, seu bairro e a sua cidade. É certo que alguns deles farão questão de entrar se você abrir a porta de sua casa para recebê-los. Mais certo ainda é o fato de que os mesmos, depois de eleitos, não abrirão a porta da prefeitura para atender você. Por isso, aproveite o privilégio de ver e falar com os candidatos hoje, porque para conseguir se aproximar deles novamente, só daqui a 4 anos.
De inúmeras janelas pudemos ver candidatos desfilando em nossas ruas e prometendo melhorias: “Eu, Fulano de Tal, conto com o seu voto para trazer melhorias para a mobilidade urbana da nossa cidade” - Enquanto isso ele vai matando de raiva os motoristas e os usuários do transporte coletivo ao engarrafar o bairro com sua lenta carreata. “Eu, Ciclanilson Fulano, estou me candidatando a prefeito para acabar com essa lixaria que esconde a beleza do seu bairro e a alto-estima de sua população” – E logo atrás dele estão seus panfletários espalhando santinhos pelo bairro todo.
Aí está uma das coisas chatas das eleições: Santinho! É um desperdício do dinheiro de campanha e deixa a cidade imunda. Será que os políticos estudam os efeitos do santinho e a influência deles no voto de um eleitor? Eu acho que não, por isso insistem nessa bobagem. Se papel ganhasse voto, o dono da Chamex era o presidente do Brasil.
Hoje eu peguei no sono quando estava em pé, dentro do ônibus (porque ir sentado é tirar a sorte grande), mas logo acordei assustado com um carro de som que passou tocando absurdamente alto a música de um candidato a prefeito. 
Essa é outra coisa chata da eleição aqui no Brasil: Jingle de campanha. Parece que a categoria dos pagodeiros sem fone achou adversário a altura, e quem sofre com essa altura são nossos tímpanos. Vá matar o diabo com tanto carro na rua tocando essas musiquinhas. Agente tem que andar com protetor de ouvido pra aguentar essa barulheira até o dia 7 e torcer pra não ter segundo turno. Essas musiquinhas ajudam a memorizar o número e o nome do candidato, mas não nos convence a votar nele. Se jingle ganhasse voto, Hilton era prefeito de Salvador. - “Eu quero Hilton 50, na capital da resistência... Salvadoooor!” - Esse jingle fez tanto sucesso que muita gente usou como toque de chamada do celular.
Recentemente eu descobri um lado positivo do trânsito de Salvador: Pude olhar a cidade vagarosamente, podendo assim ver cada detalhe que, nem a pé, eu poderia apreciar de forma tão lenta. Dessa forma eu pude perceber que, em lugares muito populosos existe, ao menos, uma propaganda política por metro quadrado, seja ela de qualquer forma. Só com pinturas de paredes, cavaletes, placas, banners e santinhos, os candidatos parecem gastar muito mais do que o que declaram. E o mais interessante é que são nos bairros mais carentes onde as propagadas são mais intensas e as campanhas parecem mais fortes. Isso mostra como os mais humildes são os mais enganados.
Eu sinto falta do tempo em que os políticos achavam que o povo era besta. Agora que eles têm certeza, estão botando pra quebrar em cima da gente. Espero que, dessa vez, o povo não vote em quem eles já sabem que não deu certo porque, errar uma vez é humano, duas vezes é reeleição.

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